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domingo, 11 de janeiro de 2015

Projeto Juanito 2015: Adestramento Solidário (MODIFICADO)



Ninguém deve ser julgado pelo seu passado, mas compreendido em seu presente. 
A história da minha relação com os animais é longa. Eu poderia dizer que tudo começou quando minha mãe tinha um cachorro pastor preto chamado Xingu e o adestrador dele se tornou meu pai. Porém acho que a história é um pouco mais antiga e se iniciou quando meu avô, adestrador de cavalos do exército, ensinou sua filha a amar os animais ao dar o primeiro cachorro para minha mãe: um fox terrier pelo de arame. Com este cão, ela aprendeu a dar banho nele, dar comida, cuidar dele, dar carinho, protegê-lo, ser protegida por ele e amá-lo. Tal amor for transformado em amor à todos os animais e por ela ensinado à mim. Lembro um certo dia, que eu estava na creche, e minha avó foi me buscar na escola com uma cadelinha preta, a qual nomeei de Panque, em homenagem ao meu programa favorito "Punky, a levada da breca". Brinquei muito com ela, que era muito danada, adorava fugir, mas sempre voltava, até o dia que não voltou. Depois tive a Magrela, e esta sim foi quem mais me ensinou, era uma gatinha linda, filha de uma gata que teve filhotes no forro da casa da minha avó. A Magrela viveu comigo até os meus 18 anos. Me ensinou que o silêncio é a melhor forma de expressão, me ensinou que precisamos nos sentir seguros, me ensinou que um olhar diz mais que mil palavras e aprendi que quando alguém não quer, não adianta, temos que respeitar. Gatos certamente são os maiores companheiros e melhores amigos! A Magrela não era minha filha, era minha irmã, minha professora, minha melhor amiga. A amo para sempre!!!
Todos estes vira latas, mas então, ganhei um boxer quando eu tinha uns 10 anos: o Cassique. Aprendi que ter um cão por perto pode te dar uma sensação de segurança, pois você não estará sozinho. Com os passeios de bicicleta comigo, ele ficou com uma musculatura linda, porém eu cresci e tinha que estudar, ficando sem tempo para andar com ele. Na verdade, fiquei sem tempo para ele, pois eu estava sempre estudando, sempre na escola e quando estava em casa, eu tinha que ir dormir. Então, meu boxer engordou e alguns anos depois morreu de ataque cardíaco. Me culpei por tê-lo abandonado, mas adquiri uma paixão pela raça e desejei ter mais um boxer, mas eu queria um lindo, dourado como ele, então, minha mãe ganhou a Vamp, minha boxer, quando eu estava terminando o curso de biologia na UnB. E como ela pulava na minha mãe quando ela chegava do trabalho, busquei adestramento e tive a sorte de fazer um curso e me tornar adestradora. Adestrei ela com a técnica de adestramento clássico, então, eu quis um macho para fazer o casal e acabei comprando o Tudor, adestrando-o em uma linha mais positiva, misturando o adestramento clássico com o positivo. Minha ideia era cruzar o Tudor e a Vamp e ter os boxeres mais lindos, porém em contato com a realidade de cães abandonados e abrigos de animais, não tive coragem de deixá-los cruzar. Então, em 2014, certa da minha escolha de não aumentar a quantidade de cães no planeta decidi castrar a Vamp para evitar que ela tenha filhotes. No final do ano passado, a Aninha, uma das minhas melhores amigas, me pediu ajuda para comprar um shih tzu. Eu falei que ajudaria e acabei indo comprar o shih tzu com ela, para que ela não fosse enganada. Não sou especialista no padrão da raça para reconhecer um shih tzu puro, não sou veterinária para saber sobre saúde animal, mas minha experiência e o contato com esta raça poderiam me ajudar a auxiliar minha grande amiga a fazer a melhor escolha. Ela me levou em um rapaz que tinha um shih tzu na casa dele e supostamente os pais... não achei nada confiável.  Então, mostrei à ela e ao Marquinhos, marido dela, uns cães de abrigo, ele se animou com alguns e ela também achou alguns interessantes, então convenci eles a irem em algumas feiras de adoção no dia seguinte e também ir na feira dos importados para ver uma maior variedade de shih tzus. Porém, no dia seguinte, eles já me avisaram que não queriam ir nos abrigos, pois tinham escolhido comprar um shih tzu mesmo. Bom, tenho que respeitar a vontade das pessoas, não adianta tentar impor minha vontade. Fomos então à feira dos importados e vimos os shih tzus que estavam à venda. Ela escolheu um e comprou, apaixonada. O nome dele era para ser Miró, Joan Miró, mas o Marquinhos insiste em chamá-lo de Juanito. Não sei qual nome ficará, mas para mim este evento foi um divisor de águas. Ir comprar um cão de raça em uma feira me fez perceber o quanto os cães são vendidos como produtos e nós os compramos como objetos. Me fez perceber o quanto isso vai contra todos os meus princípios de ver os animais como iguais. Em 2014 me tornei vegana após assistir à uma palestra que denunciava a crueldade e exploração que fazemos com os animais ao criá-los para nosso consumo, resolvi raspar o cabelo e fazer um vídeo explicando meus motivos (https://www.youtube.com/watch?v=ZsjSE6W1N8A). E agora, minha grande amiga me faz ver a realidade de cães sendo vendidos como produtos, cruzados como forma de renda e vendidos sem amor e com contrato de garantia, arrumados para parecerem bonitinhos e cativantes. A maior parte das pessoas que vendem e compram cães no Brasil não sabe a história de surgimento da raça, sua funcionalidade, suas características físicas e psicológicas. Cães de raças foram criados para alguma função e foram selecionados em cruzamentos para atingir melhor tal função. Mas até que ponto isso é necessário nos dias de hoje? A maior parte das pessoas quer um cão para companhia. Creio que para companhia o melhor cão é um que precise de companhia por estar abandonado na rua. Sério, não entendo como podemos comprar cães sendo que temos tantos cães abandonados precisando de um lar. O governo não tem nenhum abrigo público e nenhum programa eficiente de castração de animais. Assim, a única forma de resolver a super população de animais abandonados é com ações da população para resolver este problema. Contei toda esta história para explicar minha necessidade para criar o meu programa social de incentivo à adoção e proteção de animais abandonados. Em homenagem a este momento "divisor de águas", estou inaugurando o "Projeto Juanito": farei um adestramento coletivo por mês com o objetivo de trabalhar a mente e o corpo dos cães, socializando-os e estando disposta à tirar dúvidas sobre comportamento animal neste momento. As pessoas que quiserem participar do evento deverão fazer a doação de 15kg de ração para cães abandonados ou o pagamento de R$100,00. Tal doação pode ser feita para qualquer abrigo (http://adestradorasofia.blogspot.com.br/p/adote-um-amigo.html) ou diretamente para mim no dia do evento, sendo que destinarei o dinheiro à castração de animais de rua. 
Meu plano é fazer o Adestramento Solidário todo segundo domingo do mês das 16h às 18h no Parcão do parque da cidade, que se localiza ao lado da saída para o sudoeste.
O que vocês acham da ideia? Será que teremos quórum? Será que alguém vai?

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